


Exposição
A exposição Baía de Vitória: Outras Margens Possíveis reúne quinze artistas que, por diferentes caminhos e linguagens, se debruçam sobre o território da baía como corpo vivo, simbólico e político. As obras se aproximam como margens de um mesmo curso d’água — distintas, mas conectadas — compondo um panorama plural de vozes, matérias e perspectivas.
A curadoria se estrutura como um campo de encontros, reconhecendo que o sentido emerge da convivência entre diferentes olhares. A exposição é resultado de uma chamada pública que recebeu 250 inscrições, avaliadas por um júri independente formado por três profissionais do campo da arte e da curadoria, Napê Rocha, Clara Pignaton e Mara Pereira, e uma representante da equipe do projeto.
Participam da mostra 15 artistas: Amaná, Ana Luzes, Carla Désirée, Farley José, Gabriela Gaia, Ione Reis, Jaíne Muniz, Jenni Prélio, Jessica Barcellos, João Cóser, Juliana Almeida, Julio Tigre, Natan Dias, Rick Rodrigues e Yuriê Perazzini.
A Baía e o Porto de Vitória são territórios de passagem e confluência, onde mercadorias, notícias, pessoas e culturas se cruzam, tecendo a história do Espírito Santo. Para além de seu valor como patrimônio natural, desempenham papel essencial na formação econômica e cultural do estado — entrelaçando tempos, espaços e percursos.
A mostra propõe compreender cidade e natureza como partes de um mesmo corpo em transformação, onde fluxos humanos, materiais e afetivos se cruzam e se regeneram. As obras não encerram um discurso — convidam à escuta. Que cada visitante encontre, entre essas águas, o seu próprio lugar de encontro.


Curadoria

Curadora
Clara Pignaton
“Baía é um largo que acolhe, é mistura de doce e sal, é avanço e foz. É uma geografia que desenha suas margens por um contínuo, sem esquecer, contudo, que as águas são em si a matéria de diálogo. Por esse território de passagem e caminhos marítimos, a Baía de Vitória é testemunho de transformações históricas e faz lembrar a cidade do movimento ininterrupto de surgir e desaparecer que a faz ser no mundo. Nela uma grande ilha, muitas ilhotas, nela há porto, barreira, também frestas e rotas insurgentes. Os artistas aqui presentes confrontam imaginários no cruzamento com a terra e o corpo, com a linguagem e a paisagem, nos lembrando que somos não mais que a memória das águas.”

Curadora
Mara Pereira dos Santos
“Com perspectivas contracoloniais, comprometidas com as águas, com as terras, com as matas, com as memórias, com as culturas, com as pessoas, com as ancestralidades e com a sabedoria do tempo, a exposição reúne artistas e pensadoras que evidenciam um campo artístico capixaba profundo, bonito e sofisticado em suas proposições.”
“Se um dia me contassem que por aqui estaria, eu jamais teria acreditado por onde essas águas fluiriam.
Cheguei bem perto da beira, olhei lá no fundo do mar.
Cansei de esperar por ela, eis que ela se faz avistar.
Era bem cedo, bem perto de tudo e ali bem dentro do mar.
Que ela dissesse nomes — imagens — sussurros de quem poderia estar.
Escolhas do fundo do mundo, do Atlântico, do mangue, dos pedregulhos que ali estão a se lavar.
Escolhas difíceis. Diante de tanta beleza, compromissos e astúcias, um desafio selecionar.
Chegaram aos poucos, no vento, nas ondas e também de repente, no canto de Yemanjá.
Trouxeram de longe e de perto suas malas, mandingas, suas fitas, suas cores, seus sons, suas tintas, suas guias, tambores, caracás, saias a girar.
Nos pés de peixe, as águas doces-salgadas encontram mestras-mestres e os pássaros estão a nos avisar: vem tempo bom por aí. De alegrias e de anunciações.
Confiem. É o amor que nos faz acreditar”

Curadora
Napê Rocha
“A baía de Vitória, que viu tantas transformações, reformas urbanas e mudanças em sua geografia, apresenta um manancial de vida — de seres humanos e não-humanos que dependem dela para existir. Nesta exposição, observamos como artistas de diferentes territórios mergulham em suas águas, simbólica e fisicamente, criando imaginações poéticas que podemos contemplar e experimentar ativamente.
O mar, entidade de tempos imemoriais, é lugar de trânsito de diferentes povos e sujeitos que, por meio de suas águas calmas ou revoltas, realizaram trocas simbólicas.
Como não lembrar do primeiro mergulho, do encontro com esta grande kalunga a quem devemos respeito e acolhimento? Entrar de corpo aberto para receber aquilo que ela tem a oferecer: vida. Ver sempre além — além-mar — e imaginar que caminhos marítimos o mar pode nos levar.”

Curadora
Angela Gomes
“A exposição "Baía de Vitória: Outras Margens Possíveis", propõe compreender cidade e natureza como partes de um mesmo corpo em transformação, onde fluxos humanos, materiais e afetivos se cruzam e se regeneram. As obras não encerram um discurso — convidam à escuta. Que cada visitante encontre, entre essas águas, o seu próprio lugar de encontro.
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